Respostas

O vento que a acalmava, o sol que prometia não voltar a ser visto até já ser amanhã, os lábios que secavam se não fossem humedecidos constantemente.

Não, nunca lá tinha estado. Calculou que o melhor caminho para lá chegar fosse aquele, que as escadas de acesso podiam estar a precisar de manutenção e que o elevador seria uma opção mais segura, que o quarto com mais privacidade talvez não tivesse a melhor vista para o oceano.
Ele cada vez a admirava mais. A sua confiança, o modo como encarava tudo com sentido de humor e a facilidade com que resolvia imprevistos não eram novidade, mas eram agora mais evidentes. Sabia o que estava a fazer. E as pessoas queriam ajudá-la, não era forçado, ela não se impunha, apenas dizia o que pretendia preto no branco. A sinceridade fria era atraente.
Nunca tinha estado tão próximo de uma mulher tão intrigante. Que o fazia sentir bem como era: que não o fazia querer ser mais novo, ter outro aspecto, estar mais em forma ou vestir-se de outra maneira. Que não o fazia querer ser outra pessoa que não quem verdadeiramente era. Estava completamente à vontade na presença daquela alma que o enchia de sentimentos que oscilavam entre os prazeres carnais e os da mente. Queria conhece-la, entrar dentro dela e dançar até não poder mais. Queria saber quem ela era, quem ela queria ser e quem tinha sido. Queria saber mais, encher-se dela, e levá-la sempre consigo para nunca a perder. Queria tudo isto e muito mais, mas sabia que ela só lhe dava o que queria dar. E chegava, ele respeitava-a por isso, era mais que suficiente, era isso que a fazia tão especial. Era um dos seus muitos encantos. O mistério que a cobria e envolvia tudo o que fazia ou dizia tornava-a mais apetecível, a curiosidade insaciável dele tornava-se difícil de controlar, de conter. Resistia a perguntar, sabia que não ia obter a resposta que queria. Saciava antes essa curiosidade na exploração dos seus montes e vales, das curvas impossíveis que a cobriam e que aumentavam a vontade. E ela respondia a perguntas que ele nunca tinha pensado em fazer. Respondia-lhe com o charme e delicadeza apetecível que só ela conseguia ter.
Deitada em cima dele, com o peito na sua barriga e as mãos pousadas a apoiarem-lhe o rosto, olhou para cima, para ele, beijou-lhe o peito e sorriu. Ele estendeu a mão esquerda e pousou-a nas costas dela. Com a mão direita afastou as madeixas de cabelo negro, que caíam sobre aquele rosto que o olhava deliciado, para trás da orelha; passou os dedos pelos lábios húmidos e sentiu-a a sugar-lhe a ponta dos dedos, como que não os quisesse só beijar, como que os quisesse só para ela, como que os quisesse dentro de si. Continuava a olhar para ele, com as maçãs do rosto salientes e cheias de cor, a sorrir com os olhos, a dizer-lhe tudo o que ele queria saber.

publicado por verbistantum às 00:38 | link do post | comentar