Chapinhar

Foi a coisa mais estranha. Não era tanto que ele estava a ter qualquer coisa a ver com um pensamento concreto naquele preciso momento, quando uma mulher linda estava entre as suas pernas, o corpo dela sobre o dele, os seus lábios a venerar cada centímetro da sua pele, os seus dedos a sentirem o batimento do seu coração, mas que nada disto o fazia sentir obsceno de qualquer forma.

Mesmo com as obscenidades que escorriam da sua boca como um rio, projectadas na mente dela e fazendo as mãos dela explorarem o seu corpo, não se sentia de todo depravado. Não se sentia mal, foi o que se apercebeu estar a pensar. Isto não o fazia sentir mal.

Os seios dela tornaram-se um alvo, e ele fez um esforço para os alcançar, mudando de posição, ajustando-se a ela, encontrando aquele vulnerável, terno lugar onde com um só toque a fazia gemer, onde as vibrações da sua voz a faziam sorrir ao de leve. Onde os sons que ela fazia o entusiasmavam, onde os silêncios dela o entusiasmavam ainda mais. Isto era o que lhe sabia a certo, tudo isto era natural, divertido, completo. O sorriso aumentou com este pensamento.

Devia estar a sentir um arrepio a descer pelas costas abaixo quando se apercebeu o tão longe que estava das expectativas que tinham dele, da imaginação da sociedade, naquele preciso momento.

Por um momento, preocupou-se pensando que isto significaria o princípio do fim. Por um momento, preocupou-se que iria tudo tornar-se aborrecido a partir daquele momento, nunca podendo ser melhor. E depois aquela língua tão familiar apunhalou-o de prazer com uma força ternurenta, provocando-o, contorcendo-se e tocando-lhe maravilhada com o seu fervor, esperando que o toque o faça pedir por mais, o faça quere-la mais.

publicado por verbistantum às 21:27 | link do post | comentar