Longe, Perto

Estava nua e estava deitada, entre os banhos de água e os banhos de luz, e foi chamada pelo que julgava ser a curiosidade pedindo para ser saciada.
Foi chamada por si, pela melodia de vozes meio sonhadas que antecederam a sua e que a levaram ao seu encontro. Quando o viu, a sua tentação, olhos enternecedores doces num momento só para ela, lábios que esperam pelos dela, soube que ainda era sonho.
Viu um beijo que lhe chegou ao peito, ao peito onde ela se passeia, ao peito descoberto para ela.
Não lhe tocou, tocou em si, doces palavras e sorrisos que ouviu, gotas de água e de sol que secavam enquanto o corpo encontrava descanso em almofadas frias e sombras que espelhavam momentos de materialização de desejo.
Entre a vontade de o ter nos braços e a felicidade de saber que a tem nos seus, voltou para um mundo perdido em luz e em sombra, em água e em si mesma.
Longe do mundo, do material, de quem conhece e reconhece, Longe da calçada, da estrada e dos edifícios, Longe de tudo mas não de si, que também dela precisa, Está longe e não sabe se voltará.
publicado por verbistantum às 00:02 | link do post | comentar