Curiosidade

Um silêncio que fica ali, esticando-se como um gato ao sol, e que o deixa apenas com o pensamento para se entreter. Até que ela volta, pronta para si.
Sentou-se do outro lado da mesa, acelerando o ritmo de respiração dele, os batimentos cardíacos faziam-se ouvir a cada segundo que ele prendia o olhar naqueles olhos escuros e profundos que brilhavam para si. Estavam os dois a conversar, a rir-se - até não estarem. Pele seca e lábios húmidos, o calor dos corpos que se sentia por cima da roupa, a mão que deslizava sobre o cabelo lavado e desembaraçado, o suspiro rápido que não chegou a ser porque foi silenciado por um beijo.
Com perfeita consciência de onde as mãos dela estavam em si e de quando apertam, soltam ou agarram a sua camisa e calças, com fome de mais contacto, de mais proximidade. O pensamento dele estava cheio com a ideia de se apoderar do corpo dela, consumido pelos desejos de prazeres carnais que ela despertava em si. O passar dos dedos pelo cabelo dela depressa se tornou em puxar todas as mechas que conseguia recolher com a mão, obrigando-a a levantar a cabeça, a abrir os lábios para que ele pudesse passear os seus dedos.
Das apostas e cartas depressa passaram para lençóis e saboreares. As fichas que ela tinha perdido (de propósito) na última mão eram sinal de castigo; estava na hora da demonstração da victória dele sobre ela. Ele sabia que ela tinha perdido de propósito, o que tornava tudo isto muito mais apetecível, muito mais interessante. Ela queria saber o que ele queria fazer com ela.
A curiosidade matou o gato, mas só porque o gato não foi capaz de se entregar a quem a provocava.
publicado por verbistantum às 00:41 | link do post | comentar