Paciência

 

Ele não se considerava um homem impaciente. Tinha passado grande parte da sua vida a acreditar precisamente no oposto, desde a sua vida profissional ao tempo que tinha conseguido sobreviver romanticamente sem ser capaz de se deixar sucumbir às coisas que estava tão desesperado por fazer.

Os seus dedos entrelaçados no cabelo dela, encontram um nó e puxando, puxando, puxando, até o desembaraçar e este cair em vários fios, fica com a madeixa de cabelo a balançar-lhe pelos dedos. Os olhos dela abriram muito devagarinho e procuraram-no, fixando-se nos dele, ficando sua prisioneira.
Como a luz lhe afagava as costas e lhe iluminava o cabelo, como o lençol se drapeava desde o fundo das costas até aos seus pés, como tinha a cara protegida pelo ombro direito que a confortava. Será que ela sabe? Será que ela conseguia perceber o quando ele a queria naquele segundo? Estaria escrito na sua cara?

Ele tentou imaginar como ela o estaria a ver. Protector, talvez. Possessivo, de certeza. Perguntou-se como ela se sentiria, se a antecipação dominava os seus pensamentos, ou se seriam mais nervos, entusiasmo cauteloso a flutuar na sua barriga enquanto a sua mente pensava em cenário após cenário. Ele pensou que gostaria de saber, mas ele gostaria de tê-la mais. Bem, ela era dele. Toda e completamente dele. E ele sabia.

Agora, agora tinha-a, mas não na maneira que desejava. Não no sentido imediato, íntimo, físico. Tinha a sua alma, e queria o corpo dela também. Tentando desesperadamente manter o aspecto de calma e sossego só pensava no quanto a queria. E aí, todo o tipo de autocontrolo que tinha conseguido exercer até a este momento saiu do seu corpo. As suas mãos agarraram as curvas tão lindas que tanto o enternecem. A paciência tem limites, pensou.

publicado por verbistantum às 23:00 | link do post | comentar