Prateado

 

Dizem que o silêncio é ouro, mas sempre pensei que fosse como prata derretida.

O ouro é macio e saturado, ostenta uma expressão de algo que é, pela sua própria natureza, calmo, contido e pessoal. A prata tem uma irreverência em si, e os silêncios estão quase sempre à espera do nascimento de uma ideia, de uma forma ou de outra.

Sem uma voz para divulgar os pensamentos, ficamos com eles, deixando-os a cozinhar em lume brando até fermentarem e extrapolarem, tornarem-se maiores e mais precisos, mais íntimos.

 

Envolvida em silêncio prateado, sem nada mais que o suspiro que deixa escapar uma ou outra palavra, e o suave brilho da minha própria imaginação, adormeço.

publicado por verbistantum às 13:20 | link do post | comentar